Rodovias e ferrovias: governo acerta em apostar mais no investimento privado

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O governo federal apresentou hoje, 15 de agosto, um pacote de ações que resultarão em novos leilões de concessão e em parcerias com o setor privado para viabilizar projetos de rodovias e ferrovias. Nos duas áreas, a perspectiva é que as concessões se transformem em R$ 133 bilhões de investimentos privados durante o período de duração dos contratos, dos quais R$ 79,5 bilhões nos primeiros cinco anos.

A decisão do governo federal em apostar mais fortemente na capacidade do setor privado de construir, investir e operar projetos de transportes foi acertada. O modelo de concessão tem sido bastante vitorioso nas últimas décadas no Brasil, pois há responsabilidades claras nos contratos e compromisso com investimentos para melhorar a qualidade e expandir a oferta dos serviços.
Há um potencial enorme para o setor privado investir em projetos de transporte e logística, em todos os modais, dentro do regime de concessões. No transporte de carga ou de passageiros, por estrada, ferrovia, portos ou aeroportos, temos de acelerar muito o ritmo do investimento para destravarmos o fluxo de passageiros e a movimentação de cargas.
Temos de ser mais ousados e avançar mais. O ritmo de investimentos em transporte precisa acelerar 16% ao ano até 2016 para que o país passe a investir 1,6%/PIB nos modais de transporte. Hoje, essa marca é de 0,74%/PIB. Isso trará efeitos diretos na melhoria do bem-estar e da competitividade das empresas.
Esse avanço pode contar com a presença do capital privado, pois há espaço para isso. Dos R$ 169,4 bilhões investidos no setor de transporte (todos os modais) entre 2003 e 2011, incluindo recursos públicos e privados, o setor privado foi responsável por 40% deste montante, enquanto a parcela do setor público, incluindo as empresas estatais, atingiu 60%.
Em um trabalho recente, a Abdib detectou que, a partir de microdados do World Economic Forum (WEF), a qualidade da malha rodoviária brasileira posiciona o país entre os 30 piores sistemas do mundo, considerando 142 países. Para as ferrovias, a qualidade do sistema posiciona o Brasil entre os 50 piores sistemas do mundo. Com um ritmo maior de investimentos em infraestrutura, podemos melhorar essas posições, aumentar a competitividade do setor produtivo nacional e aprimorar as condições de bem-estar da sociedade em geral.
Paulo Godoy é presidente da Abdib