CAF diversifica instrumentos para infraestrutura

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Jorge Arbache, vice-presidente para o Setor Privado do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), foi recebido por empresários dos Comitês de Relações Internacionais e de Indústrias da Abdib no dia 28 de maio, ocasião em que apresentou o histórico de atuação da instituição de fomento na América Latina, região cujo foco está em áreas de infraestrutura, e também diretrizes e metas. Uma delas é diversificar a forma de atuação no financiamento do desenvolvimento da infraestrutura local.

Arbache explicou que a CAF tem porte bastante significativo na América Latina, bastante capilaridade para atuação junto aos entes subnacionais e muito conhecimento das condições de renda e infraestrutura locais e da estrutura de governança de estados e municípios, entre outros aspectos. A instituição multilateral registrou em 2018 ativos totais de US$ 40,0 bilhões, com carteira de crédito de US$ 25,6 bilhões.

Diante da crise fiscal que atingiu o poder público como um todo no Brasil, o executivo da CAF explicou o apetite por crédito de instituições multilaterais foi bastante reduzido, pois as restrições impactaram a potência de prestação de garantia soberana pelo setor público.

Arbache informou que a CAF é de longe a instituição que mais financia estados e municípios no Brasil. Fruto desse relacionamento é a carteira de US$ 7 bilhões em operações aprovadas para o Brasil entre 2014 e 2018, montante que não é muito grande mas é maior que os valores contratados pelo Banco Mundial no país.

O Brasil, no entanto, não está no topo da lista de países com mais participação na carteira de crédito da instituição. Equador e Argentina (14,0% de participação cada um), Venezuela (13,7%), Colômbia (11,5%), Bolívia (10,1%) e Peru (8,0%) vêm na frente do Brasil (6,8%), seguido de perto pelo Panamá (6,7%).

Em 2018, a CAF aprovou crédito de US$ 13,6 bilhões para a região, dos quais US$ 7,4 bilhões com garantias soberanas. Os recursos são destinados para temas estratégicos, como saneamento básico e drenagem urbana, mobilidade e desenvolvimento urbano, educação de primeira infância, energia, corredores logísticos e fortalecimento institucional.

Assistência técnica e financeira – Atuando no Brasil desde 1995, a CAF tem trabalha com o setor privado e com a administração pública, incluindo operações com estados e municípios (garantia soberana), com empresas estatais, para as quais a CAF lançou condições atrativas de crédito há três semanas (garantias quase soberanas) e bancos públicos e privados (não soberanas).

Um exemplo foi uma operação com prazo de dois anos estruturada com o Banco do Nordeste para financiar programa de inclusão financeira para pequenas e médias empresas. A CAF ainda atua com assistência técnica e financeira e alavancagem de recursos de terceiros para viabilizar projetos.

Arbache explicou que a CAF está procurando instrumentos mais diversificados para atuar na infraestrutura, de forma a contornar os efeitos da crise fiscal que reduziu o espaço para contratar operações com entes subnacionais lastreados em garantias soberanas.

Um exemplo é um fundo de infraestrutura, no modelo de FIDC. Já está registrado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o BNP Paribás foi selecionado para ser gestor. O BNDES é consultor nacional. O fundo terá R$ 500 milhões para aportar em projetos de quaisquer setores. Na Colômbia, a CAF criou um primeiro fundo, de US$ 490 milhões, que foi bem-sucedido e serviu de exemplo para outros fundos com mais recursos para a infraestrutura. No Uruguai, foi criado um fundo de US$ 345 milhões.