Levy a investidores: ‘quanto antes superarmos isso, melhor’

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Um dia depois de o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), anunciar a abertura de um processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse a investidores que quanto mais cedo o debate se resolver, melhor será para o país.

O Globo Levy Ao participar de teleconferência organizada pelo Banco Plural Brasil na última quinta-feira, Levy ressaltou que o Brasil passa por um momento político muito particular que precisa ser superado logo. Defendeu que o Congresso se mantenha em atividade em janeiro, para ajudar a concluir as discussões sobre o impeachment e também aprovar propostas econômicas importantes para 2016.

— Temos que acelerar a discussão sobre impeachment. Quanto antes superarmos isso, melhor — disse ele na teleconferência.

‘INCERTEZAS POLÍTICAS AFETAM PIB’

Levy lembrou que, há 10 anos, os Estados Unidos também fizeram um debate em torno de um impeachment do então presidente Bill Clinton:

— Há alguns anos, houve discussões sobre impeachment nos Estados Unidos, do presidente Clinton. Temos que estar preparados para levar isso em conta. Há medidas importantes no Congresso e temos que continuar a nos mexer. Temos que continuar a ir em frente.

Ontem, em São Paulo, Levy voltou a falar sobre os efeitos do impeachment, após participar de reunião na sede da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib). Segundo ele, a abertura do processo dá ao governo a oportunidade de deixar claras suas políticas para o país e para a recuperação da economia.

— Essa é a hora mais importante de o governo mostrar porque é governo e criar as condições para acontecerem as coisas que vão permitir ao país voltar a crescer — disse o ministro.

Levy admitiu que não “tem sido segredo” que as incertezas políticas têm afetado o PIB.

— Desde maio (a política) tem afetado a arrecadação. E trazer clareza a esse processo é positivo. A presidente tem muita tranquilidade e deixou claro que, se há o desejo (de se levar adiante o processo de impeachment), não há por que recear. Quando se encara as coisas de frente, é melhor. Só se tem a ganhar quando deixamos as coisas claras.

Sobre o risco de o processo de impeachment precipitar novos rebaixamentos da nota de risco do país pelas agências de rating, Levy disse que vai depender da respostas que o governo dará.

— As agências querem saber qual proposta que o governo tem de crescimento, de cumprir seus contratos, de ter uma dívida que seja adequada ao tamanho do país. Quando falamos e deixamos claro qual é esse compromisso, inclusive o compromisso com a meta de superávit no ano que vem, eu acho que conseguimos afastar o risco de rebaixamento — disse.

IMPACTO DO DÉFICIT DE 2015

O ministro negou que o déficit deste ano possa causar problemas:

— Todo mundo conhece o déficit deste ano e ele se deve à queda das receitas, em parte por causa das incertezas políticas, mas eu acho que estamos em um processo de superar essas incertezas.

Aos investidores, na quinta-feira, Levy afirmou ainda que a meta fiscal de 2016, de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) não é muito ambiciosa, mas reconheceu que não será fácil atingi-la. Segundo o ministro, ela exige que o governo continue cortando gastos e consiga aprovar a recriação da CPMF no Congresso.